Confesso, não sem uma ponta de remordimento, ter abandonado este blog. Mas hoje bateu uma vontade incontrolável de escrever, então abri esta página e sem pensar muito estou deixando as palavras saírem. Pode ser a inspiração - e o espírito jornalístico - voltando, os milhares de sentimentos que me confundem, os grandes fatos históricos que vi (e vivi) no fim de semana. Ou tudo junto.
Desde ontem, Barcelona exibe um certo orgulho de ser espanhola. Em vermelho e amarelo. Nas paredes, janelas, calçadas. No chão das ruas, no metrô. Com bandeiras, cornetas, gritos de guerra. "Yo soy español, españoool, españoooooool", "campeoneeees, campeoneeeeeeees", "Andrés Iniestaaa lá lá lá". Até um "Viva España" eu vi estampado em algumas faixas de pedestre por aí.
Na hora do jogo, nada menos que 75.000 mil pessoas invadiram a Praça Espanya, além de todos os outros bares da cidade, sem exageros, para acompanhar, gritar e sofrer juntos até o último minuto, literalmente. Ainda que alguns catalães torçam o nariz para La Roja!, mais da metade da equipe Furia! é formada por craques do Barça, oras! E, por Dios, a política não estragou a festa.
Milhares de caras pintadas e suas vuvuzelas foram tomando Barcelona após a partida. Praça Espanya, Catalunya, Ramblas... Gargalhadas e batucadas regadas à cerveja. Alegria sem-fim. Eu senti.
Tudo isso apenas um dia depois da megamanifestação que levou 1 milhão de catalães às ruas pelo Estatut, que dá mais liberdade à Comunidade Autônoma da Catalunya. "Som una nació, volem decidir!". Impressionante.No futebol, ao que parece, uma única nação comemorou o título inédito. E muito merecido. Visca España!

