domingo, 29 de novembro de 2009

Barça X Madrid


A cidade parou, ninguém nas ruas. Estavam todos espremidos pelos bares do bairro Gótico, do Born, de Grácia. Quem não tinha reserva dançou. O jogo entre Barcelona e Real Madri é o evento do ano para a torcida catalã. Ainda mais quando a bola rola no Camp Nou.

O juiz apita, silêncio, tensão. Cada jogada é motivo de aplauso, grito, susto. O barman toca o sino para dar mais emoção. O locutor em alto e bom espanhol narra cada jogada com a pelota, os olés, os saques de esquina, os saques de puerta.

Os 5ºC lá fora viram 45ºC lá dentro. En serio. Mesmo com o empate do fim do primeiro tempo, a torcida está em alvoroço. Nem o lanche de presunto cru com queijo brie, nem a música lounge, nem mesmo o ar condicionado esfriam os ânimos.

A pelota rola de novo, a galera agita, o sino toca. Até que Slatan Ibrahimovic entra em campo para marcar um golaço de primeira. Ninguém segura tanta alegria. O Barça ainda teve um jogador expulso aos 30 minutos da etapa final - mais confusão, desespero e inconformismo no bar - mas segurou o resultado com maestria.

Apito final, festa geral. O sino toca, o hino toca, a torcida canta. A cidade, enfim, volta a seu ritmo. Em azul e vermelho.

Domingo no parque II



Pista de corrida, ciclovia, jardins, lagos, fontes. O Parque da Ciutadella é um oásis verde no centro da Barceloneta. Perto da praia, perto da montanha. Uma paisagem linda, um tanto carioca, confesso. Lugar perfeito para um domingo preguiçoso. Caminhar, respirar fundo, ouvir os pássaros e as crianças. Além do mais sempre tem eventos culturais pelas alamedas arborizadas.

Depois do exercício, a comilança. Ali do lado estão restaurantes ótimos de paella. Pena que não posso nem ver frutos do mar....mas a minha paella com alcachofras, ervilhas e cenouras estava bem mais saborosa!

sábado, 28 de novembro de 2009

Susto

O alarme tocou às 3 horas na copiadora da primeira planta, ele escalou mais dois andares pela lateral do prédio, quebrou o janelão de vidro e invadiu o escritório. Só teve tempo de revirar as gavetas, colocar no bolso alguns trocados (em euro e dólar) e agarrar um celular. O alarme, o vidro quebrado, a movimentação chamaram a atenção do morador da frente. Um policial, dá para acreditar? O 'elemento' foi pego em flagrante, mas às 3 horas quem iria à delegacia fazer B.O.?

Sem nada saber chego atrasada para trabalhar. Antes de me dar as chaves o porteiro afobado alerta: "Entraram na oficina, não toque em nada, a manutenção vai tirar foto, vocês precisam chamar a polícia". Hã? Cómo? Qué pasa?

Ao pisar no escritório o susto. Vidro quebrado para todos os lados, documentos e pastas espalhados no chão, armários e gavetas abertos. A polícia demorou a chegar, fez uma vistoria breve e tudo ficou por isso mesmo. Nem sei qual foi o destino do elemento. Só sei que morei 26 anos em São Paulo para passar por isso em Barcelona. Com um mês de estada e apenas 2 semanas de trabalho.

Pero no pasa nada! Ainda prefiro Barcelona.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Barça de bike



Nada de metrô abafado ou ônibus lotado. É pedalando que se chega a todos (sim, todos) os rincones de Barcelona. Com direito a vento no rosto, perna malhada e uma paisagem incrível pelo caminho - a cidade é outra da perspectiva da bicicleta.

Quem usa sabe: o bicing é simplesmente genial. O serviço de transporte público simples, rápido e sustentável foi inaugurado em 2007 e hoje conta com nada menos que 6 mil magrelas espalhadas por 400 estações. A maioria delas próxima a metrôs, trens e pontos turísticos.

Para pegar uma bike, basta aproximar o cartão eletrônico do tóten - todos os moradores da cidade podem mandar fazer a tarjeta, que custa 30 euros por ano - e esperar que uma  delas se destrave. Você pode se locomover por toda Barcelona e devolver a bicicleta em qualquer estação.

Pode acontecer de não haver bikes em uma estação específica, ou não haver espaço para devolvê-la onde queira. Mas basta aproximar novamente o cartão do tóten que o computador dirá qual o local mais próximo para pegar (ou deixar) a magrela.

Adotamos a ideia. Vamos trabalhar, estudar e passear de bicing.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nós 4



Coincidência. Ou seria destino? Naquela paulistana manhã chuvosa e cinzenta um sorriso nos deu esperança. Horas e horas de espera - e de mau-humor - no Consulado da Espanha até que dona Ana puxa papo. Ela também não aguentava mais as fadigas do consulado, ela também iria para Barcelona, ela também estudaria na UB. Naquele mesmo dia cogitamos morar juntas. Trocamos e-mails, nos falamos várias vezes, mas só nos vimos novamente já em Barcelona. Para nunca mais nos separarmos.

A Jaque eu conhecia de nome. Assessora de imprensa, simpática, fofa. Por uma amiga em comum (boa, Driiii!!) ela sabia que eu estaria em Barcelona e me mandou um e-mail. E não é que também estamos na mesma universidade. Melhor, no mesmo curso, na mesma classe!

Apresentamos a Ana para a Jaque e agora somos o quadrado mágico espanhol. Todo dia, toda hora, toda viagem, todo passeio, tudo. Fazemos tudo juntas. Nós 4.

Coincidência - ou destino - já somos uma família. Muita história e forte sintonia.

Domingo no parque

Mais um domingo de céu azul de ponta a ponta. A pedida não poderia ser outra: Tibidabo. O parque de diversões fica no alto de uma das montanhas que emolduram Barcelona - e a vista lá de cima é a melhor atração. Mais que a roda-gigante, é preciso dizer.


Metrô + ferrocarril + bondinho nos levam ao topo. A igreja de pedra é linda, tem um Cristo um tanto capenga no alto, mas vale a subida. Crianças ansiosas gritam diante dos brinquedos do parque. O Hopi Hari é bem mais radical, mas não tem essa panorâmica.




Roda-gigante, lá vamos nós. Entre uma subida e outra, vemos as torres da Sagrada Família. A arquitetura do Gótico. O hotel W em forma de vela na beira da praia. Ahhh, a praia. A areia. O mar. O céu azul de ponta a ponta.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sahrtem!!!



As vozinhas de verdade não estão aqui, mas as netinhas as matam de orgulho. Depois de um mês de abstinência árabe, resolvemos o problema em um almoço: Ugarit, restaurante sírio, no coração do charmosíssimo bairro de Grácia. Fattuch e salada de queijo de cabra de entrada, folha de uva como primeiro prato e, para finalizar (que desnecessário!), uma combinação de quibinha, falafel, babaganuj, hommus, coalhada... Agora já sabemos, a Verdí é a rua dos árabes, gregos e egípcios. Na próxima crise, é só correr para lá.


Vengan!


O interfone toca, eu atendo. "Alguém pediu pizza?" A resposta é negativa. Umas risadas no fundo e logo reconheço a voz. Eram nossas primeiras visitas: Felippe e João Paulo (eee trem bão!). Que surpresa, hein Cami! Apesar do pouco tempo - nem 24 horas -, não deixamos de mostrar a cidade aos nossos hóspedes. Tapas na Cervesaría Catalana, Baladinha na Sutton, Sagrada Famíla, La Pedrera, Bairro Gótico, Mercado La Boqueria, Ramblas e, como não poderia deixar de ser...Xampañeria!


A gente promete: nenhum dos nossos visitantes sairá de Barcelona sem comer um sanduíche de salmón con roquefort regado à cava rosê. Sahrtem meninos!!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Em obras



Barcelona, Zaragoza, Costa Brava...parece que toda a Espanha está em obras. Depois da crise, o governo decidiu destruir para reconstruir. Ou seja, gerar empregos. E não é que esses dias fomos acordadas por uma britadeira? Eram 8h30, de novo. E decidiram quebrar justo a calçada debaixo das nossas janelas. Quando vimos, o guindaste estava praticamente aqui dentro. Mas agora também não vai fazer diferença. Acabou-se o que era doce: segundona entramos na linha. Yo empiezo a trabajar y Mámá a estudiar español. Às 9 horas.     

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Exemplo cultural



Cada bairro de Barcelona tem sua biblioteca pública. Nos parece incrível, ainda mais porque qualquer um pode fazer a carteirinha - basta levar o passaporte, é grátis. E com a carteirinha cada pessoa pode alugar de uma só vez 30 itens, entre livros, jornais, revistas e DVDs, é grátis. E cada pessoa pode ficar nada menos que 30 dias com cada item e ainda renovar o aluguel por mais 2 meses, é grátis. E zaz, temos livros, jornais, revistas e filmes para ver comendo pipoca quentinhas na cama. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O drama

A pasta rosa não entra na bolsa. Força, jeito, encaixa. Já estou acomodada, são 9 estações até a faculdade, melhor ouvir Ipod. Mão na bolsa, cadê o Ipod? Tira a pasta rosa da bolsa, emperra, força. O tal aparelho sai voando, diretamente para a fresta entre o meu e o banco ao lado. Não dei importância, tá fácil. Tira o estojo da bolsa, pega a caneta. Não entra. Pega a chave. Não entra. A menina da frente me empresta uma caneta mais fina, a do lado vem com outra chave. O Ipod vai afundando cad vez mais. Ainda o vejo. O vão é muuuuuito estreito, começo a ficar desesperada. Faltam cinco estações. O homem que estava em pé dá ideia de tentar o resgate com a pasta rosa. Abre a pasta, tira os papéis. Dobra e desdobra a pasta, enfia no vão, empurra. Faltam duas estações. O vagão todo se mobiliza. Pasta rosa, caneta, chave. Faz assim, faz assado. Falta uma. Não vejo mais o Ipod. Impossível levantar o banco do metrô, fecho a cara, me conformo. A estação da faculdade é a última. Chamo o maquinista: "el Ipod está justo aquí, debajo del asiento". Minha cara de desespero não o comove: "Lo siento".      

Não achados e perdidos

Uma canga esquecida na praia, um brinco perdido na balada, um Ipod roto e outro emperrado no banco do metrô. Um celular no vaso sanitário, mas milagrosamente recuperado. Barcelona nos faz perder a cabeça.

Saldo:
Marcy - 2
Cami - 2

Destino: Zaragoza - Parte II




Domingo amanheceu cinza. Vestimos absolutamente todas as roupas que tínhamos na mochila e saímos preparadas para enfrentar o frio. Só não contávamos com a chuva, que caiu e não parou mais. Éramos as únicas na rua, únicas sem guarda-chuva, correndo, encolhidas. Tudo em nome do turismo.


Para começar, a torre à beira do Rio Ebro. Subimos até o quinto andar onde está o mirante. Lá de cima, uma paisagem incrível: muralhas romanas intactas; a catedral Pilar, símbolo da cidade; o rio, as pontes, as ruazinhas arborizadas, os tetos pontudos coloridos...

Apertamos o passo, chuva, frio. Mas os quilômetros a mais valeriam a pena. O Palácio da Aljafería, uma maravilha moura do século 11, está a 20 minutos de caminhada do centro histórico. A estrutura de pedra  chama atenção à distância, mas o rico interior impressiona ainda mais. Arquitetura árabe, detalhista. Cada ambiente com uma decoração. Muito ouro. Aos domingos, entrada gratuita.









E mais um finde chega ao fim... voltamos correndo para o sol de Barcelona. A decepção: o frio também chegou aqui. Parece que de vez. Mas tudo bem, o céu continua azul.

Destino: Zaragoza - Parte I



É sábado de manhã e, de novo, pegamos a estrada. De ônibus, dessa vez. Eu, Camis e toda a minha sala do máster. Depois de quatro horas chegamos ao destino: Zaragoza. Uma cidade charmosa e encantadora, mas gelada!

Fomos direto à casa de uma amiga onde um banquete de tapas nos aguardava: ramón ibérico (uhmm), tortilla de batatas, queijos e embutidos variados, morcilla (embutido sem carne, recheado com sangue coagulado do porco e arroz - Não, esse não provamos!), pão com tomate, empanada de atum e muito vinho. De sobremesa, pão doce com nozes. Essa é uma mesa típicamente espanhola!


 

domingo, 8 de novembro de 2009

La Boquería


Tem de tudo na Boquería. O mercado virou ponto turístico não apenas pela localização, em plena Ramblas, mas também por algumas atrações (a nossos olhos) bizarras. Ou o que vocês diriam sobre uma cabeça de porco? E um coelho inteirinho pendurado na "vitrine"? E uma lagosta vivinha se mexendo enquanto algum (a nossos olhos) corajoso a escolhe para o almoço?


Seções carne e peixes à parte, a Boquería deixa água na boca. Frutas coloridas e sucos naturais a 1 euro (vá para as barracas do fundo, mais baratas), verduras frescas, queijos e mais queijos, embutidos, defumados, ovos, chocolate artesanal, vinho. Tem até flores e plantas. Não saia de lá sem um pedaço do delicioso presunto ibérico. E tenha certeza de que visitou todas as tendas de todos os corredores. Porque o melhor está na última do último: PÃO DE QUEIJO.



Os males do 1º andar

Estrondo. Forte e contínuo, como se o mundo viesse abaixo. Só pode ser o caminhão de lixo, mas a essa hora da manhã? Pelos cinco minutos seguintes acho que estamos sonhando. E mais uma explosão. Mientras tanto o homem do gás passa batucando no botijão. A moça feia debruça na janela e resolve bater papo com a vizinha. Os pak's estão em ação pelas calles. As crianças jogam basquete no cesto de lixo. A cortina é fina, o sol de Barcelona invade o quarto. E outro estrondo. Pulo da cama, abro a janela e descubro que o hotel em frente está em reforma. O mestre de obras, na cobertura do edifício, joga todo entulho abaixo por um tubo. Antes das 9 horas. O estrondo, o homem do gás, a moça feia, as crianças irritam meu sono. Só o sol de Barcelona salva a manhã.    

domingo, 1 de novembro de 2009

Dalí e o Mediterrâneo

E finalmente decidimos pegar estrada. Nossa primeira viagem pela região foi para o lugar certo na hora certa: Costa Brava, outono com sol. Carro 1.4, mapas na mão e nada daquela voz insuportável do GPS. Deixamo-nos levar, simples assim.

Seguimos primeiro para Cadaqués, um paraíso à la Grécia. Numa encosta isolada está a casa onde Salvador Dalí viveu maior parte de sua vida com sua Gala. Tudo extavagante, exagerado, como o artista. Pela janela vimos a mesma paisagem que o inspirava. Com céu azul.


O centro de Cadaqués merece um dia. Ruazinhas estreitas e ladeiras de pedra. Casas brancas com janelas azuis, igrejas, ateliês. E um Mediterrâneo de fundo. Decidimos dormir por aqui.


Próxima parada: Cap de Creus, uma das pontas mais famosas da costa. São montanhas de pedra que avançam no oceano e formam um cenário inacreditável. Depois, Sant Pere de Rodes. Mais estrada sinuosa, à beira do precipício, coisa de filme. Lá no alto o impressionante mosteiro do século X, contruído com imensos blocos de pedra. Uma viagem no tempo.



Mais para o interior está Figueres, cidade onde fica o Teatro-Museu Dalí. Um deslumbre, de verdade.

De volta pelas carreteras tão boas quanto confusas, mais uma paradinha nas praias da Costa Brava. Com Sa Tuna no roteiro, seguindo as recomendações do Pedrinho. O único erro: céu cinza, vento gelado. Fica para o próximo verão!