Comecei a invasão por Segóvia. De trem, são apenas 30 minutos de viagem, a imperceptíveis 250 km/h. Os picos nevados à saída da estação foram apenas a primeira vitória. Vão lendo. Porque ao chegar bem no centro histórico a batalha já estava ganha: dominei o aqueduto, imenso, gigante, incrivelmente de pé desde o século 1. Uma prova da genialidade romana. Até 200 anos atrás a estrutura ainda levava água para a parte alta da cidade. Dá para imaginar?É claro que chovia e fazia um frio de congelar, mas bati perna todo o fim de semana. Explorei o aqueduto lá de cima, pisei nas suas pedras, admirei o cenário. Seus altos arcos dão forma às imagens. Aos telhados marrons, às árvores secas, às folhas vermelhas, ao rio. A estrutura é Patrimônio da Humanidade assim como a Catedral do século 16, última grande igreja gótica construída na Europa, e o Real Alcázar, o castelo dos reis de Castilla entre os séculos 12 e 14.
A luta seguinte foi fácil. Atravessei a imponente torre, cruzei a muralha e caí nas graças da velha conhecida Toledo. Era véspera do dia de los Reyes Magos e a cidade-ocre estava em festa. E mais colorida, graças aos turistas e aos poucos raios de sol. O dia passou rápido no sobe-e-desce das ladeiras de paralelepípedo, entre igrejas, sinagogas e mesquitas. Praças um tanto floridas, museus e relíquias de El Greco. E também nos mirantes - a verdade é que de qualquer cantinho dá para ver uma paisagem ampla, perdida no tempo. A noção de tempo, aliás, perdeu-se de novo durante a Cabalgata de los Reyes. A cidade estava em festa, lembra? Com direito a desfile, carros alegóricos e muitos caramelos para a criançada. Entrei na dança e enchi a bolsa! rs...Próxima e mais difícil (e mais encantadora) batalha: Ávila. Branca, absolutamente branca. Do começo ao fim do passeio, havia neve caindo no rosto, no corpo, congelando os pés. No topo das chaminés, nas folhas, nos carros, no chão. As gotas apagaram até a cor das grossas muralhas que envolvem por completo o centro histórico. Excitante, espetacular. Antes de invadir, vale passar no mitante Cuatro Postes para clicar a melhor panorâmica da cidade. Lá dentro, com neve e alguns graus negativos, jogo duro. Foram muitos cafés, docinhos e um interminável almoço entre uma torre e outra, um portão e outro, a catedral gótica. Colossal.


A última investida valeu a pena, apesar das dificuldades do caminho. Os trilhos estavam fechados por causa das condições climáticas e a viagem de 3 horas a Salamanca acabou em 5. Mas o sol chegou a tempo, é nisso que eu me apego.
A cidade universitária estava aos pássaros. Não vi estudantes, não vivi a noite (gente, era 8 de janeiro!), mas conheci o outro lado desse clima. Tranquila pela Plaza Mayor, de um rosa gasto, pelas catedrais, a nova e a velha, pela universidade, uma das mais antigas do continente. Desci a ponte romana do século 1, senti o vento gelado, me arrepiei com o céu azul entre nuvens negras, olhei para trás. A silhueta de Salamanca estava lá, perfeita, toda minha.



