sexta-feira, 12 de março de 2010

Maktub

Tem dias em que cismo não ouvir meus pensamentos. Nem sabia que era capaz, é estranho, mas às vezes acontece. Insight, intuição? Coincidência, destino?

Ontem, por exemplo. Acordei atrasada, coloquei qualquer roupa e corri para a estação de bicicleta. Fora do ar, carajo. Hoje é dia, pensei. Ou melhor, senti. Caminhei uma quadra até a outra estação, peguei a primeira bike, deixei a luva apoiada no guidão enquanto ajeitava o Ipod e disparei. Pedala uma, pedala duas, na terceira queria jogar a magrela longe. Só a marcha leve funcionava e, por mais rápido que pedalasse, mal saía do lugar. Para piorar fazia um frio de congelar as mãos. Ah, não, cadê a luva? A essa altura jogada ao vento em qualquer esquina de Barcelona.

Resumindo: o trajeto que faço em 15 minutos completei em 30. Sua teimosa, deveria mesmo ter vindo de metrô. Agora estou atrasada. E sem luva.

Do trabalho para a academia, ao contrário, fui premiada com uma bike que só tinha marcha pesada. Sabia que hoje era dia, saco. Encarei mesmo assim; afinal, a ideia era fazer exercício. Respira, respira. Mas o dia estava apenas começando. A terceira (e pior) surpresa veio no trajeto entre casa e faculdade: um quase-tombo fenomenal. Não fosse meu rápido reflexo, teria explodido no chão junto com o pneu traseiro da bicicleta. CA-RA-JO. Até isso? Eu sabia. Daí me odiei mais ainda: teimosa, quer fazer tudo ao mesmo tempo, afobada. Bem feito!

Eis que para alegrar meu dia - seria coincidência? destino? transmissão de pensamento? - recebo um e-mail fofíssimo da Larissa me indicando o filme Serendipity. Ela disse: "Cami, você não me sai da cabeça desde que vi o filme". O longa fala sobre as manobras do destino. Lari, entendi seu recado e aceitei a sugestão. Adorei. Fui dormir pensando na força do pensamento, nas coincidências da vida, no (meu) destino brincalhão. Maktub.


Por isso hoje resolvi seguir minha intuição. Chove, faz frio. Desisti da academia, desisti de cozinhar. Fui almoçar fora com mamá e agora estou jogada no sofá, enrolada no cobertor, com uma barra de chocolate nas mãos. Vou ver outro filme. Simples assim.

Um comentário:

  1. Ca ,as vezes precisamos aquietar nossa alma ,e ouvir no silencio, o que Deus quer falar.Faça um desafio e vera´,que vale a pena.Saudades Bjos .Janete

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