segunda-feira, 12 de julho de 2010

Visca España!


Confesso, não sem uma ponta de remordimento, ter abandonado este blog. Mas hoje bateu uma vontade incontrolável de escrever, então abri esta página e sem pensar muito estou deixando as palavras saírem. Pode ser a inspiração - e o espírito jornalístico - voltando, os milhares de sentimentos que me confundem, os grandes fatos históricos que vi (e vivi) no fim de semana. Ou tudo junto.

Desde ontem, Barcelona exibe um certo orgulho de ser espanhola. Em vermelho e amarelo. Nas paredes, janelas, calçadas. No chão das ruas, no metrô. Com bandeiras, cornetas, gritos de guerra. "Yo soy español, españoool, españoooooool", "campeoneeees, campeoneeeeeeees", "Andrés Iniestaaa lá lá lá". Até um "Viva España" eu vi estampado em algumas faixas de pedestre por aí.

Na hora do jogo, nada menos que 75.000 mil pessoas invadiram a Praça Espanya, além de todos os outros bares da cidade, sem exageros, para acompanhar, gritar e sofrer juntos até o último minuto, literalmente. Ainda que alguns catalães torçam o nariz para La Roja!, mais da metade da equipe Furia! é formada por craques do Barça, oras! E, por Dios, a política não estragou a festa.

Milhares de caras pintadas e suas vuvuzelas foram tomando Barcelona após a partida. Praça Espanya, Catalunya, Ramblas... Gargalhadas e batucadas regadas à cerveja. Alegria sem-fim. Eu senti.

Tudo isso apenas um dia depois da megamanifestação que levou 1 milhão de catalães às ruas pelo Estatut, que dá mais liberdade à Comunidade Autônoma da Catalunya. "Som una nació, volem decidir!". Impressionante.


No futebol, ao que parece, uma única nação comemorou o título inédito. E muito merecido. Visca España!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Copa do Mundo: é nossa?

                                                                                                                La Vanguardia


Maicon acerta uma trivela de desorientar até seus companheiros, redes balançam, Robinho passa um bolão para Elano disparar, vuvuzelas gritam, bar em fúria. É tudo verde-amarelo. E eu estou mais preocupada com a mandioca saída do forno. Quentinha, porque de morno já basta o jogo, mesmo com lindos gols. Poxa, é estreia, o que passa comigo?

Estou até agora tentando entender por que não me emociono mais com a Seleção. Mas é Copa do Mundo! E daí? Ah, se fosse o Corinthians... aí sim eu ia me descabelar, coração palpitar, nervoso, paixão inexplicável. Prefiro mesmo, oras.

Pode ser a cara feia do Dunga, os jogadores dos quais nunca tive notícia ou a falta de garra que sinto na equipe. O fato é que o Brasil não encanta. Eu me esforço, assisto, torço, mas muito mais para estar com a galera no bar, curtir a farra e matar a saudade daquilo que realmente me toca, como a mandioca quentinha...

Não sei aí, mas aqui em Barcelona a Copa toda vai mal. Pensei que veria nas ruas mais gente, mais cores, mais emoção. Tudo mais ou menos normal, ainda mais depois do tropeço de hoje da Fúria! Espero que daqui para frente melhore, enquanto tento amolecer o coração.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Minha identidade

"Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!"

Fernando Pessoa

domingo, 30 de maio de 2010

Formentera, um absurdo


Não consigo encontrar melhor adjetivo para descrever a pequena ilha perdida no Mediterrâneo. Absurdo, muito absurdo. Um atrás do outro, praias, estradinhas de terra, mar-piscina. Céu. Vi todas essas imagens combinadas do banco da minha bike. Senti cada paisagem, vento no rosto, arrepios. Vivi em detalhes, livre, leve, simples assim. Um absurdo.


Entre faixas de areia branca, um oceano inacreditavelmente transparente, pedalando, o cheiro da terra, o cheiro das árvores, desfiladeiros, falésias. Uma estrada deserta, um farol solitário, uma caverna de pedra com vista para o mar. Pausa, sol, sossego, música do violão. Um absurdo.


Três dias inteiros estendidas na areia, com calor, sem biquini. Iluminadas pelo sol, pela paz. Pelo colorido objeto não-identificado que flutua entre as estrelas. Eu vi, é verdade. Pedalando, pedalando, liberdade, que paisagem! Outra, nossa, olha! Um absurdo. Queríamos a vida sempre assim, felicidade plena, problema? Ê Formentera, que absurdo!    


PS: A ilha tá na moda faz tempo. Ganhou fama como cenário do filme Lucía e o Sexo e foi hit do verão passado com o animado comercial da cerveja Estrella Dam (vale a pena ver: http://www.youtube.com/watch?v=1VRZlSSIrwY). Fica a apenas 20 minutos de barco de Ibiza, uma dobradinha sem comentários. Absurdo.
 

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Atropelos

Fui atropelada. Pelo turbilhão de pensamentos, caminhão de experiências, mala de trabalhos. Pelo tempo, sobretudo. Passaram dias, semanas, um mês inteiro sem que eu escrevesse uma só linha neste modesto espaço. Muita coisa para dizer, preguiça, crise. Inspiração que não vem, como descrever? Acho que minha jornada está chegando ao fim. E isso me afeta profundamente.

Sinto tristeza já, mas ainda faltam três meses! A volta, que depressão, melhor aproveitar (ainda mais) cada milésimo de centésimo de segundo na Europa. Arrumei as malas e fui. Primeiro Bilbao e San Sebastián, no país basco, norte da Espanha. Genial, moderno, autêntico. Da baía turquesa ao incontornável Guggenheim, sem falar dos saborosos pintxos.


Trabalho e faculdade vou levando como dá. E de repente Menorca, para celebrar meu cumpleaños na companhia das mais queridas amigas! Sol, muito. Praia, água transparente, surpresa, bolo. Impagável, obrigada!




Agora escrevo arrumando as malas para Ibiza e Formentera. Praia, mais. Não canso nunca. Também, depois de um ano de inverno e um branco branquíssimo, eu mereço, por favor!

Talvez role Amsterdam, Málaga, Costa Brava, mas o mais importante eu já tenho: as passagens para o gran finale, a viagem dos sonhos, eu e mamá: Budapste-Praga-Berlim.

Tudo isso para contar que minha ânsia só piora. Ainda mais com o tempo passando por cima de mim.  

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Parêntesis

“¿Le ofrezco algo, guapa?” Eu, tonta, distraída, ainda encarei o tipo. Passavam das 21 horas e andava tranquilamente pelo Gótico quando o vi se aproximar. Ele, alto, forte, vinha certeiro em minha direção. “¿Le ofrezco algo, guapa?”, repetiu. Passei batido, ele virou, eu vi que me seguia, ele insistiu. E estava ofendido. “¿Qué es, no fuma porro?” Mantive os passos, senti os dele. “Tengo más cosas.” Fingi que não ouvi e entrei na taverna basca pensando: tenho cara de quê?
- “Le ofrezco algo?”
- Si, uma cerveza.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O mundo particular de Marrakech


Era como se tivesse aterrissado em outro planeta.  O barbudo tocava a flauta e encantava a cobra e me olhava feio. Eu só queria fazer uma foto daquela cabeça larga, elástica, preta. De longe, beeem longe. A mulher toda coberta pegava na minha mão e tentava fazer um risco com henna. O homem do macaco amestrado quase o jogou no meu ombro. Por um clique - e um troco. O da barraca da laranja acenava e me chamava desesperadamente, e o das castanhas, hummm, me regalou algumas.

Andando sem foco nem rumo pressenti que a praça Djemaa Al Fna era realmente outro mundo. O mundo particular de Marrakech. É ali onde todos devem estar e estão: moradores, turistas e caçadores de turistas prontos para comer, rir, vender, comprar, passear, rir, rezar.




Eu, Lari e Marcy fomos pegas pelo estômago. Era preciso renovar as energias com couscous de legumes e tahine de carne para enfrentar o caos. Flauta, apito, gritos. Chamado do muezin para a oração na mesquita. Não sabíamos para onde olhar. Até o barbudo da cara feia querer cobrar a foto. Justo. Lari, Marcy e a cobra. De longe, beeem longe.


Da tatuagem de henna e do macaco amestrado conseguimos nos livrar, mas das barracas de laranja e outras guloseimas...os olhos arregalaram, a boca encheu e o estômago cheio até pediu mais diante de coloridos damascos, amêndoas, ameixas. Castanha, figo, nozes. Com a sacola cheia de “especiarias” entramos e nos perdemos pelos zocos, os mercados sem-fim de Marrakech.

Começou, então, o turno da pechincha. Haja saco, só  Lari para enfrentar. Eu tentei, até consegui um desconto arrastando meu francês com um velho chato e convencendo um jovem marroquino apaixonado pelo Palmeiras, ou melhor, pelo Diego Souza, que o Corinthians é o melhor do mundo. Mas esse era mesmo um trabalho para as primas. A trabalhar!

Um lenço aqui, uma almofada lá, um brinco de prata acolá. Ai meu deus, bolsa de couro, chaveiro de olho, caixinha de madeira. Babuches! Olha o carrinho do torrone, pé de moleque, doce de amêndoa. Para tudo, a gente quer mais. 


Sem perceber anoiteceu. Custou encontrar o fim do labirinto e reconhecer a Djemaa Al Fna. À noite, a praça é outra. Tem barracas, mesas e bancos para todos os lados. Gente, muita gente, fumaça. Cor, cheiro, gosto. Impossível quebrar esse feitiço. O muezin chama mais uma oração. O garçom atrapalhado fala, fala e nos convence. Sentamos. Ele joga o pão na mesa com a mão, sem frescura. Depois traz kafta, berinjela, mais, legumes, azeitonas, mais.  

Muito mais que satisfeitas vamos deixando a praça para trás. O barbudo não está mais lá, nem as tatuadoras de henna. Agora são grupos musicais perdidos na multidão. Sinto uma, duas, três mãos na minha bunda. O que? Olho para trás furiosa, só vejo rostos inocentes. “Chica flaca”, leia-se magra. Era tudo o que precisava ouvir.

Próxima experiência: a Medina de Fes.



terça-feira, 6 de abril de 2010

Orgulho catalão


Faltam cinco minutos para a bola rolar, restam cinco alunos na classe. Contando comigo, já de bolsa na mão e mão nos ouvidos. O professor disparou a falar, nadie le hizo caso, coitado, então nos mandou para casa. "A ver al Barça".

Saí correndo, como se fosse o Corinthians. Não podia perder nem mais um segundo da partida. A rua, escura, vazia. O metrô, alguns passageiros, rádios atentos. Gooool, é do Messi, ouvi do bar da esquina. Gooooooool, Messi de novo, gritava meu compaheiro de apê enquanto eu ainda abria a porta de casa. Barça 3 X 1 Arsenal, e fim de primeiro tempo. Consegui ver ao vivo o quarto gol de Messi, ouvi o apito final e me enchi de orgulho.

Nesta manhã já havia sentido algo parecido. Casa nova, novas descobertas (sim, mudamos, há dois dias!!). Perdi o fôlego ao ver da minha rua duas torres da Sagrada Família, iluminadas pelos primeiros raios de sol. Fiz questão de passar em frente, eu e minha bike, mesmo porque não sabia exatamente que caminho fazer até o trabalho. Segui a intuição, a cor, o cheiro de Barcelona. E não é que fui parar na frente da Santa Maria del Mar?  Que orgulho!

Não está naaaada mal começar assim o dia, mesmo depois de uma semana intensa entre dunas e mercados marroquinos. Ahhhhh, o Marrocos, assunto sem fim para os próximos posts. Antes preciso superar minha crise aguda de inspiração.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cambios

O tempo não corre, voa. Agora mesmo, enquanto arrumamos as (muitas) malas, caiu nossa ficha: mais uma etapa em Barcelona acabou. Ainda lembro da gente pensando como seria arrumar um apartamento para morar a partir de abril. Parece que foi ontem, e nós ainda estávamos no Brasil.

Só temos mais duas noites no apê da queridíssima Dri Setti, que com muita generosidade nos deixou cuidando de seu lar enquanto se aventurava pela Ásia, por dois meses. A gente, confesso, curtiu muito viver sem dividir nada com ninguém, nem geladeira, nem cozinha, muito menos banheiro. O apê era nosso, todo nosso, e que apê! Com uma varanda incrível (pouco aproveitada por causa do frio, é verdade, mas com vista para Mediterrâneo, Tibidado e Montjuïc, quer mais?) e uma TV gigante que nos acolheu nas noites preguiçosas.

Até que procuramos pisos para continuarmos vivendo juntas, só nós duas, mas uma oferta caiu do céu. Uma amiga nos convidou para morar com ela. É gente conhecida, ponto. Havia justo dois quartos livres, ponto. O apê fica do lado da Sagrada Família, três pontos. Ainda hesitamos, mas foi só pensar na fadiga que seria a busca de apartamentos para mudar de ideia. Depois ponderamos: até agora, absolutamente TUDO (bate na madeira) deu certo, sem exigir nosso mínimo esforço. TUDO foi, assim de repente, caindo no nosso colo. Talvez seja a força do pensamento positivo, ou a vontade grande de realizar esse sonho de estar aqui. Por que, então, contrariar o "sinal" dessa vez?

Tudo bem que estamos com preguiça de voltar a ter apenas duas grades da geladeira, uma prateleira do armário, meia porta do armário do banheiro... Mas antes de encarar essa nova etapa, teremos uma semana de experiências intensas no Marrocos. Uhuuuuuu!!! Até a volta!

Agora vamos correr, porque o tempo voa.

sexta-feira, 19 de março de 2010

É primavera!

Quinta-feira, 13 horas, 16 graus. O lendário peladão pedala Gótico adentro. E eu (sem querer) atrás dele.Venho distraída, um tanto irritada com a multidão, e só me dou conta ao gargalhar com a gargalhada dos outros. Ele é mesmo um personagem, em carne e osso e só. Vai descendo o Portal de L´Ángel concentrado, intocável, arrancando gritos, caretas, murmúrios, sorrisos envergonhados. Não olha nem acena, apenas pedala. Direto e reto, completamente nu.

Antes de perdê-lo de vista, dá tempo de tirar uma dúvida que há meses me assombra. A mim e a todos para quem falo de sua existência: o peladão NÃO usa as bikes do bicing, ufa! E a foto? Não foi dessa vez, droga, fico devendo.

Continuo pedalando e pensando: Barcelona é mesmo surreal. Mas logo a multidão me dá nos nervos de novo. A cidade está mudando, já havia notado semanas atrás. Isso é bom e ruim.

Os dias estão mais longos, bom. O sol esquenta cada vez mais, ótimo. Meus casacos compridos me deixam com calor, perfeito. Então lembro que amanhã começa a primavera, até que enfim!
   
Barcelona está mais viva, colorida, vibrante, bom. E as ruas, abarrotadas de turistas, bom? ruim? Agora confesso, um tanto insuportável.

Mal saio de casa e sou obrigada a desviar passos e pedaladas daquelas aglomerações de japoneses e suas câmeras, adolescentes norte-americanos bobos e mil outros turistas parados no meu caminho para uma foto besta. Será que besta estou ficando eu? Até parece que procuro sarna para reclamar... Também, só eu quero passar às 13 horas pela Catedral de Barcelona e não ver ninguém. O problema é todo meu, eu sei, já estou estudando rotas de fuga. Juuuuuuusto (para você, Léo)!

A melhor parte são os 16 graus. Que venha logo o calor, preciso pegar uma praia. Urgente.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Maktub

Tem dias em que cismo não ouvir meus pensamentos. Nem sabia que era capaz, é estranho, mas às vezes acontece. Insight, intuição? Coincidência, destino?

Ontem, por exemplo. Acordei atrasada, coloquei qualquer roupa e corri para a estação de bicicleta. Fora do ar, carajo. Hoje é dia, pensei. Ou melhor, senti. Caminhei uma quadra até a outra estação, peguei a primeira bike, deixei a luva apoiada no guidão enquanto ajeitava o Ipod e disparei. Pedala uma, pedala duas, na terceira queria jogar a magrela longe. Só a marcha leve funcionava e, por mais rápido que pedalasse, mal saía do lugar. Para piorar fazia um frio de congelar as mãos. Ah, não, cadê a luva? A essa altura jogada ao vento em qualquer esquina de Barcelona.

Resumindo: o trajeto que faço em 15 minutos completei em 30. Sua teimosa, deveria mesmo ter vindo de metrô. Agora estou atrasada. E sem luva.

Do trabalho para a academia, ao contrário, fui premiada com uma bike que só tinha marcha pesada. Sabia que hoje era dia, saco. Encarei mesmo assim; afinal, a ideia era fazer exercício. Respira, respira. Mas o dia estava apenas começando. A terceira (e pior) surpresa veio no trajeto entre casa e faculdade: um quase-tombo fenomenal. Não fosse meu rápido reflexo, teria explodido no chão junto com o pneu traseiro da bicicleta. CA-RA-JO. Até isso? Eu sabia. Daí me odiei mais ainda: teimosa, quer fazer tudo ao mesmo tempo, afobada. Bem feito!

Eis que para alegrar meu dia - seria coincidência? destino? transmissão de pensamento? - recebo um e-mail fofíssimo da Larissa me indicando o filme Serendipity. Ela disse: "Cami, você não me sai da cabeça desde que vi o filme". O longa fala sobre as manobras do destino. Lari, entendi seu recado e aceitei a sugestão. Adorei. Fui dormir pensando na força do pensamento, nas coincidências da vida, no (meu) destino brincalhão. Maktub.


Por isso hoje resolvi seguir minha intuição. Chove, faz frio. Desisti da academia, desisti de cozinhar. Fui almoçar fora com mamá e agora estou jogada no sofá, enrolada no cobertor, com uma barra de chocolate nas mãos. Vou ver outro filme. Simples assim.

terça-feira, 9 de março de 2010

Lances de sorte (ou nem tanto)

Agora mesmo Barcelona está derretendo. Literalmente. Andando na rua senti vários pingos na minha testa. Ainda há quem não acredite - os próprios catalães estão atônitos -, mas ontem nevou como não se via há 45 anos. Nevou como se fosse a Suíça! O transporte público parou, as pessoas saíram mais cedo do trabalho, as aulas foram canceladas. Caos. Mas ninguém foi para casa não. Estavam todos por aí, clicando o branco total da cidade das formas e cores.

Nunca imaginaria essa cena, nem mesmo quando o avião arremeteu momentos depois de anunciar o pouso no aeroporto de Girona. Joder, qué pasa? "No hay visibilidad", explica o piloto. "Vamos para Reus". Jooooooooder, Reus está bem mais longe. É segunda-feira de manhã, preciso chegar logo ao trabalho, ainda tenho faculdade à noite, não durmo há 24 horas, não tomo banho há 48 (ops!). Joder, joder, essas companhias de baixo custo... Mas eis que em Reus tampouco há condições de pousar. E agora? Lá vai o avião para cima de novo, treme, flutua. Dessa vez, aleluia, segue com destino ao aeroporto principal de Barcelona, a poucos minutos de tudo. Precisava mesmo de um último lance de sorte para fechar a bela viagem de fim de semana à Itália.

Pouco antes disso, uma simpática catalã que sentou ao nosso lado no avião fez o favor de convencer quatro italianos a comprar nossos transfers de ônibus entre Girona e Barcelona (e vice-versa). Eu ia morrer com essa passagem na mão e nem me lembrava disso. Que vergonha. E não é que saí do avião com mais 10 euros no bolso? Sabia que a sorte ainda estava com a gente, mesmo diante de nossa deplorável situação.

Até que tentei, mas não dormi nada na madrugada de domingo para segunda. Culpa do guarda do aeroporto, que me fez levantar do chão bem na hora que começava a embalar a soneca. Depois, sentada naquela cadeira dura, foi impossível pegar no sono. Voltando... cheguei ao aeroporto às 3h da manhã, depois de dirigir (e me perder) por quase 5 horas pelas estradas muuuuito mal sinalizadas da Itália. O vôo era às 8h, não valia a pena procurar hotel. Fui direto para o terminal de embarque. Com sono. Sem banho.

Tudo bem que queria aproveitar todos meus segundos na Toscana e realmente precisava chegar muito cedo à Galeria Uffizi de Florença, naquela manhã de domingo, para não pegar fila. Tomar banho de gato não é problema, mas banho completamente frio também não dá, né? Faltou água quente no albergue, oras. No pasa nada, pensei. Hoje à noite, já de volta a Milão, vou ficar uma hora debaixo do chuveiro quente.

Quase não havia fila na Uffizi. Que sorte, caramba. E tampouco paguei ingresso, uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Sorte, de novo. Vi com tranquilidade relíquias de Botticelli, Michelângelo e Da Vinci, almocei em uma osteria super tradicional, tomei o melhor sorvete do mundo e pelo caminho ainda conheci um vilarejo incrível, San Giminiano. Só faltava o banho. E só. Mas as estradas italianas são coonfusas, o carro não tinha GPS, dirigi perdida por quase 5 horas e... bem, o fim da história vocês já sabem.

Apesar de todas as fadigas, não podia reclamar. Eu fui para a Itália preparada para neve, chuva e temperaturas negativas, mas fez sol, muito sol, todos os dias. Vivi como se deve sob o sol da Toscana. Que sorte, caramba. Para começar bem a viagem de fim de semana à Itália.

Mais sorte que tudo isso só mesmo ver neve em Barcelona - sabe-se lá em quantas décadas vai nevar assim de novo. A neve, aliás, além de me deixar no aeroporto central e embelezar toda a cidade, cancelou minha aula. Sorte, sorte, sorte. Enfim, cheguei em casa mais cedo, fui correndo para o banho (aê!!!!!), tomei um delicioso vinho Rioja e dormi profundamente. Melhor foi acordar hoje e ver Barcelona derretendo sob o céu azul.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Eu quero.

Nem embarquei, mas algo já me consome a alma. Amanhã cedo parto para Milão e depois sigo de carro até Florença, com boas perspectivas de me perder pelos vilarejos da Toscana. Por um fim de semana, que mais posso querer? Mas eu quero. Sinto que vou (re)descobrir uma paixão e difícil será deixá-la para trás quando raiar a segunda-feira.

Por quê? Por que essa ansiedade? Quero a Toscana toda, a Costa Amalfitana, as Cinque Terre, a Sicília. Quero vagar entre vinhedos, me debruçar sobre o Meditterâneo da varanda daquelas casinhas coloridas na encosta, sabe? Quero tomar vinho, tomar sorvete, sentir o simples prazer de cada sabor.

Mas meus pensamentos já voam mais longe. Metade de minha jornada sabática passou, e eu ainda tenho tanto, tanto, mas tanto para explorar nesse Velho Continente. Tanto que não queria fazer outra coisa. Largo agora casa, trabalho e máster. Largo Barcelona e corro para abraçar o mundo. Desespero. Então respiro, pondero. Bem, tenho a vida inteira para isso.

Se depender de minhas vontades, viverei para conquistar todos os territórios europeus (mais a Ásia e a Oceania). Mas que sei eu do meu futuro? Quero mais, quero agora. É o que sinto, e é forte. Socorro. Quero Croácia, Eslovênia, Rússia. Berlim, Praga, Budpeste, Bucareste. Sofia. Quero verão em Menorca, sábado de sol em Formentera. Quero Ibiza, quero Tenerife. E, más allá, Egito, Síria, Líbano. Não tem fim.

E olha que de nada posso reclamar. Eu rodei muito, visitei lugares incríveis e impensáveis (o que dizer de Namíbia, Atacama ou Jordânia?), mergulhei em experiências arrebatadoras. Encontrei pessoas maravilhosas, fiz amigos. Muitos passaram, levaram um pouco de mim, deixaram muito de si. Por tudo isso minha vida já valeu a pena.

Mas eu quero mais. E essa é toda minha preocupação neste lado do oceano (sacanagem, né?). Taí, acho que encontrei a razão do meu recém-encontrado primeiro fio de cabelo branco.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Cotidiano


Todo dia a gente faz (quase) tudo sempre igual,
Nos sacudimos às 8 horas da manhã
E sorrimos, mas isso é genial
Somos mesmo como duas irmãs

Todo dia seguimos para a oficina
De bike ou metrô depende do dia
O importante é no CIDEU chegar 
Sim, trabalhamos no mesmo lugar

Frente a frente, como era de se esperar
Basta nos olharmos para gargalhar 
Mas como pode ser verdade
Tudo o que desejamos é realidade

2 da tarde, hora de se mandar
Malhar é preciso, vamos correndo
Depois ainda temos de cozinhar
E ir à faculdade, fadiga, morrendo

  Toda noite a gente faz (quase) tudo sempre igual
Chegamos, jantamos, falamos pelos cotovelos
Gargalhamos, de novo, isso é natural
Barcelona, incrível, estamos vivendo

segunda-feira, 1 de março de 2010

Surpresa, Por Nuno Godinho

Antes de partir, mas já no elevador, porta fechada, gritou: "uma última coisa, vocês tem de ir debaixo do microondas". Num impulso saltamos para a cozinha, ainda tocadas pelo abraço triplo da despedida, ainda ouvindo as notas soltas da guitarra espanhola. Mas o que seria? Num pedaço de papel sugeria: "preparadas para a surpresa? Então vão ver dentro da caixa do filme Cão Sem Dono que está na sala". Outro pulo, só mesmo o Nuno, agarramos o DVD, que alegria , outra pista: "a recompensa será sempre algo de valor que não dá para calcular, sabor que não dá para comparar e poder que não dá para controlar. Se querem saber mais, vão ver o livro Milênio". Da estante sacamos o livro, abrimos as páginas ansiosamente, trocamos olhares, ele é mesmo surpreendente. E o que quer nos dizer? Palavras escondidas, profundas, o que será, vamos rápido para debaixo do sofá. Última ordem: ligar o computador e acessar o c:\Media. Na pasta secreta, a surpresa.

Por Nuno Godinho

OLAAAAAAAAAAAAA!!!!

1 Gaudí, 2 Gaudí, conta reconta cantos recantos, e tantos os santos, quantos os desenhos no ar. Cheiro de arte, cheio de doces, gelados triplos e olhares aflitos mirando sagradas familias, baladas, vigilias que cismam em construir-se sozinhas. 3 Gaudí, 4 Gaudí, reconta recantos em cantos vezes sem conta, e todos os santos se desenham no ar.

Momento à parte, se não seria vocês, seria o que fosse e gelados triplos, olhares infinitos, bicing de rua, esta arte tão nua, não estaria presente. 5 Má, 6 Cá, abraço o aperto, na hora da despedida, choro, o riso, agradecemos à vida. Casamento por troca de viagem ao mundo, em igreja ou praia como filme de fundo.

300 Kg a mais, gelados triplos a menos, troca pesada, mas enfim...é o que temos. Noutra vida talvez. Mas outra vida não será a minha, nao será a tua, serão apenas 2 outras pessoas só que com a mesma altura.

Se o sentimento perdura, isso não saberei, o que é certo é que por vezes os pormenores contam. Detalhes pequenos, 13 cm, já olharam bem na sagrada familia, a paixão que ela transpira, que não impede apaixonar toda a gente que ali passa, olha e respira. Ficam paixões perdidas, mas no entanto sentidas.

De tão puro o teu ser, o entendimento mútuo, outrora algo, talvez noutra vida. Mas a minha vida é esta, a tua é a tua, e um dia juntariamos as duas, dimiuindo as alturas. E aí eu diria, "Já és eu", como parte de mim, face perfeita, replica sim, mais idêntica que metade de mim. Metade de mim que serias tu, longas conversas, chá no jardim, filme da tarde e um pôr do sol sem fim. E se olhares para trás, é possível arrepender da paixão?

E se uma é parte de mim, outra é defensora sem fim. Sangue do mesmo sangue, quem sabe, assim. Olhar que compreende, atitude que surpreende, a cada virar da esquina, cada paragem em notas de guitarra soltas em paredes e tectos, colunas, acústico brilhante, pausa arrepiante em corredores semelhantes à nossa própria vida, que olhamos assim que entramos naqueles desenhos, e somos levados pelo som suavemente acutilante, que mexe connosco, que nos obriga a pensar, que nos tira da rotina, que nos faz amar qualquer coisa que passe por nós naquele momento. Que nos obriga a olhar e escutar com atenção cada detalhe da nossa vida, deste mundo, da beleza rara que é um simples pombo bater asas e ir. E como nós nos identificamos um com o outro, é ligação difícil de explicar.

Carta de agradecimento por me mostrarem o mundo, tal como eu fiz, faço e sempre farei com vocês. Explico uma paixão, exprimo emoções e assim ganhei uma irmã e descobri metade de mim.

Directamente, Cá, você sempre será minha. Ponto. Porque não tem mais explicação. Defenderia-te com unhas e dentes, nunca deixando algo ou alguém magoar-te. Como viste na balada. quem se mete contigo mete-se comigo também. E pode meter, mas eu tenho de aprovar!!!!

Directamente, Mar, você supostamente deveria ser minha. O destino enganou-se e trocou-nos a altura. Ponto. Porque não tem mais explicação. Morria por ti, se assim fosse, porque uma pessoa assim merece o mundo, mas terias um trabalho difícil: por o mundo tão puro quanto tu. Impossivel eu acho. Tenho a certeza (99,9%) que nunca vou encontrar ninguém como tu, mas já tenho planos para uma próxima vida: encontrar-te e alongar! Isto se não ganhar o euro milhões e tu aceitares a volta ao mundo. Ainda nesta vida (será que temos mesmo mais alguma?)

E aíiiii meninas, foi o fim. Eu voltarei eu espero. Quero repetir. Ainda nao fui e já tenho saudades e vontade de ficar. Agora vocês preparam-se para a balada neste sábado e eu acabo de escrever isto. Bem guardado!

Um beijo!!!!!!!!!!!


Ele chegou....


Curtiu cada balada...

 

Admirou paisagens, sorriu, sentiu, surfou!

 

Barcelona es poderosa, meu gajo

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Recuerdos do Parc Güell


Agora fecho os olhos e deixo entrar soltas as notas da guitarra espanhola. Eco, suave. Volto para a tarde de sexta-feira, tarde cheia de sol e de notas. Soltas, sentidas, leveza.

Ele fecha os olhos, desliza os dedos, cordas, produz notas. Soltas, solto, soa como piano. Que delicadeza. E o eco suave entre colunas, mosaicos, tetos e curvas. Sente a música, sente o momento, entre colunas, desenho meticuloso, perfeito. Gaudí.

A gente se fecha nesse mundo de arte, de notas, de sentido profundo. Para tudo. Não há turistas, ruídos nem tempo, só música. Que entra em silêncio no corpo, no pensamento, arrepia a alma, enche os olhos. Hipnotiza.

Juntos descobrimos o músico, as notas, soltas, sentidas. Nos descobrimos, ligação correspondida.

O músico desliza os dedos, toca notas de "Astúrias" (Isaac Albéniz), do gajo satisfaz o desejo. E se vai.

O gajo, enfeitiçado com a música (e com todo esse ar, essa arte, essa paisagem), compra o CD e me deixa as notas. E se vai.

Agora eu fecho os olhos e deixo entrar soltas as notas da guitarra espanhola. E os recuerdos do Parc Güell.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Barça, Barça, Baaaaaaaaarça!

 

Ansiedade, expectativa, exaltação. Meu pai era tudo isso e mais um pouco naquela noite enluarada de sábado. E nos contagiou, ele e a lua. "Estou no Camp Nou, quem diria", sussurrou à saída do metrô. Eu ouvi, sorri comigo mesma, contente de fazer parte dessa realização.

A verdade é que todos éramos crianças como ele. Eu e a Má ainda não havíamos pisado no palco do Barcelona Futebol Clube. Mais: essa também era a primeira vez dela num estádio - que bela estreia! Já a Telma, bem, não é assim fã, mas está sempre feliz.

Ver o Barça em ação é essencial. Pelos jogadores-estrela como Messi, Iniesta e Thierry Henry, pelo campo moderno e aconchegante ou simplesmente pela lenda. Porque emoção, emoção mesmo, como no Pacaembu lotado de arrepiar a alma corinthiana, não tem não.



A torcida azulgrana é comportada, a organização ao redor do estádio é exemplar, e a polícia não faz mais que orientar o trânsito. O metrô estava todo azul-vermelho, camisetas, bandeiras e lenços. Em silêncio. Ah se fosse no Brasil...

Ficamos na geral, sentadinhos, com cadeira numerada, é mole? No Camp Nou, ninguém assiste aos jogos em pé. Compramos o assento mais longe (leia-se mais barato) e ainda assim estávamos perto. A partida era válida pela Liga Espanhola, e o adversário, o fraco Racing de Santander.

Por isso mesmo o Barça poupou alguns craques, como o aclamado Zlatan Ibrahimovic (Ai, Cogu, não foi dessa vez), para o jogo contra o Sttutgart pela Liga dos Campeões (terça-feira, 23 de fevereiro, 1x1). Aliás, não fosse o Zlatan empatar a partida no final...

Bola em jogo, torcida sentada e três ou quatro vozes tentando embalar no ritmo de: olêêêêêêêêêêê, Barça aê, olêêêêêêêêêêê, Barça aê. A gente, claro, tentou ajudar, sem muito sucesso. Foi então que decidi fazer uma galeria de fotos e vídeos, enquanto Messi, Rafa Márquez, Henry e Iniesta marcavam 1, 2, 3 e 4 golaços. A reação da torcida? Palmas e nada mais.



Houve poucos lances polêmicos e o juiz quase não foi massacrado. Ouvimos no máximo um "cabrón" e dois "maricón". Em compensação, muitas jogadas geniais, dribles rápidos de Messi, chutes certeiros de Henry. Meu olhar cruzava o do meu pai, a gente sorria, admirados.

Ao vídeo com o gol de Rafa Márquez vocês assistem neste link

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Momentos


Barcelona como ela é: Porto Olímpico, Montjüic, Plaza Espanya, Parc Güell...
                                
    Admirando Lisboa, do Castelo de São Jorge

Meu craque no Camp Nou



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Obrigada

Parc Güell, Barcelona

Eles me deram a vida e por tudo isso já têm minha eterna gratidão. Mais e sempre além, me deram amor incalculável, proteção inestimável, educação. Sobretudo me deram asas. E me ensinaram a voar.

Eu aprendi, desejei, lutei, conquistei. Seguindo exemplos, meus ídolos, caminhos, com orgulho. Voei. Agora longe, tempo corrido, vida sozinha, eu me guio. Saudade, controle. Quando comecei a me acostumar com as circunstâncias, e a distância, eles vieram - e realizaram mais um sonho. Nosso sonho.

Me reconheci no jeito do Celso e nas risadas da Telma. Lindo reencontro, comigo, com eles. Senti uma imensa alegria ao perceber seus olhares brilhando felizes todos os dias, a cada descoberta. E me senti querida como nunca, todos os dias, a cada olhar, palavra, gesto. Com um simples sorriso, um abraço saudoso, uma preocupação, toda proteção. Com o saco de damascos fresquinhos, as mexericas e os queijos de cabra comprados com carinho no Mercat de Ninot. Só para me paparicar. E eu orgulhosa em aceitar tanto mimo. Vocês são meu maior presente.

Consegui trazê-los para Europa e tentei mostrar o melhor que existe num pedacinho desse continente que em mim exerce um feitiço inexplicável. De Sintra, Cascais e Lisboa a Barcelona. Com visitas a palácios, jardins e bairros antiquíssimos. Com pratos e copos sempre cheios, claro. E um grand finale inenarrável: jogo do Barcelona, em pleno Camp Nou, para delírio do meu craque Alemão.

Passou rápido, muito rápido, mas vivemos, aproveitamos e provamos tudo. Intensamente. Eles mais uma vez realizaram um sonho. Nosso sonho.

Sinto que não consegui expressar tamanha gratidão. Tento aqui de novo: obrigada. Eu amo vocês e não posso viver longe. Foi difícil engolir mais uma despedida. Fico abraçada às nossas lembranças.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

À sombra de Murphy

Fazia tempo que não escrevia aqui, mas o dia de ontem merecia um post.

Começou com a "clase" de direito tributário (tem coisa mais chata?) que deveria terminar às 21:30hs, mas foi até 21:38hs. Desço correndo as escadas, cansada, carregada, e encontro a Camis no corredor, que já me esperava há um bom tempo...

Lá fora ainda chove. Computador e livros pesados à mão...Ihhhh, esqueci o guarda-chuva na sala. Volto e vejo a professora, que pergunta: "Hay un paráguas en la silla, es tuyo?" Sí sí!

Paráguas resgatado, corre para o metrô. Fome. Ainda descíamos as escadas quando soou o apito que avisa que a porta do trem vai fechar. Corremos mais, mas ela fechou bem na nossa cara. Olhamos direto para o marcador: faltam seis minutos para o próximo trem.

Não fosse os 8 minutos a mais de aula e o paráguas esquecido teríamos entrado. Ok, respira, senta, espera. Fome.

Agora alcançamos a metade do destino: Sants Estació. Mais duas estações e estamos em casa. O apito toca de novo, corre, corre, e mais uma vez damos com a cara na porta. Mais 4 minutos, 3 minutos e.....o tempo para. No marcador: "servicio indisponible por problemas técnicos". A gente se olha, quase chora. Peso. Fome.

De novo, não fosse a professora tagarela, o "paráguas" esquecido ou o primeiro trem perdido já estaríamos quentinhas em casa. Vamos de táxi, que remédio? Paramos na esquina de casa, mais especificamente na lojinha de um pak. Vamos comprar ingredientes para fazer um pé-de-moleque que há dias nos dá água na boca. A gente merece, vai! A receita enviada no mesmo dia pela mamis eu já sabia de cor!

Jantar destruído, faço a sobremesa. O aspecto do doce era tão bonito quanto o do feito pelas nossas mães, mas o gosto... O que era aquilo? Sal? "Caaaaaaamiiiii!". Era sal! O amendoin que compramos era bem salgado e não combinou nada com o leite condensado. Argh!

Nossa noite termina assim, um pouco frustrada. Vamos dormir sonhando com o verdadeiro pé-de-moleque. Até isso deu errado hoje!

Dizem que nada na vida é por acaso. Talvez Murphy quisesse colaborar com o nosso regime, mas não conseguiu. O pé-de-moleque salgado é ruim mas é bom. E já está na metade!