quarta-feira, 24 de março de 2010

Cambios

O tempo não corre, voa. Agora mesmo, enquanto arrumamos as (muitas) malas, caiu nossa ficha: mais uma etapa em Barcelona acabou. Ainda lembro da gente pensando como seria arrumar um apartamento para morar a partir de abril. Parece que foi ontem, e nós ainda estávamos no Brasil.

Só temos mais duas noites no apê da queridíssima Dri Setti, que com muita generosidade nos deixou cuidando de seu lar enquanto se aventurava pela Ásia, por dois meses. A gente, confesso, curtiu muito viver sem dividir nada com ninguém, nem geladeira, nem cozinha, muito menos banheiro. O apê era nosso, todo nosso, e que apê! Com uma varanda incrível (pouco aproveitada por causa do frio, é verdade, mas com vista para Mediterrâneo, Tibidado e Montjuïc, quer mais?) e uma TV gigante que nos acolheu nas noites preguiçosas.

Até que procuramos pisos para continuarmos vivendo juntas, só nós duas, mas uma oferta caiu do céu. Uma amiga nos convidou para morar com ela. É gente conhecida, ponto. Havia justo dois quartos livres, ponto. O apê fica do lado da Sagrada Família, três pontos. Ainda hesitamos, mas foi só pensar na fadiga que seria a busca de apartamentos para mudar de ideia. Depois ponderamos: até agora, absolutamente TUDO (bate na madeira) deu certo, sem exigir nosso mínimo esforço. TUDO foi, assim de repente, caindo no nosso colo. Talvez seja a força do pensamento positivo, ou a vontade grande de realizar esse sonho de estar aqui. Por que, então, contrariar o "sinal" dessa vez?

Tudo bem que estamos com preguiça de voltar a ter apenas duas grades da geladeira, uma prateleira do armário, meia porta do armário do banheiro... Mas antes de encarar essa nova etapa, teremos uma semana de experiências intensas no Marrocos. Uhuuuuuu!!! Até a volta!

Agora vamos correr, porque o tempo voa.

sexta-feira, 19 de março de 2010

É primavera!

Quinta-feira, 13 horas, 16 graus. O lendário peladão pedala Gótico adentro. E eu (sem querer) atrás dele.Venho distraída, um tanto irritada com a multidão, e só me dou conta ao gargalhar com a gargalhada dos outros. Ele é mesmo um personagem, em carne e osso e só. Vai descendo o Portal de L´Ángel concentrado, intocável, arrancando gritos, caretas, murmúrios, sorrisos envergonhados. Não olha nem acena, apenas pedala. Direto e reto, completamente nu.

Antes de perdê-lo de vista, dá tempo de tirar uma dúvida que há meses me assombra. A mim e a todos para quem falo de sua existência: o peladão NÃO usa as bikes do bicing, ufa! E a foto? Não foi dessa vez, droga, fico devendo.

Continuo pedalando e pensando: Barcelona é mesmo surreal. Mas logo a multidão me dá nos nervos de novo. A cidade está mudando, já havia notado semanas atrás. Isso é bom e ruim.

Os dias estão mais longos, bom. O sol esquenta cada vez mais, ótimo. Meus casacos compridos me deixam com calor, perfeito. Então lembro que amanhã começa a primavera, até que enfim!
   
Barcelona está mais viva, colorida, vibrante, bom. E as ruas, abarrotadas de turistas, bom? ruim? Agora confesso, um tanto insuportável.

Mal saio de casa e sou obrigada a desviar passos e pedaladas daquelas aglomerações de japoneses e suas câmeras, adolescentes norte-americanos bobos e mil outros turistas parados no meu caminho para uma foto besta. Será que besta estou ficando eu? Até parece que procuro sarna para reclamar... Também, só eu quero passar às 13 horas pela Catedral de Barcelona e não ver ninguém. O problema é todo meu, eu sei, já estou estudando rotas de fuga. Juuuuuuusto (para você, Léo)!

A melhor parte são os 16 graus. Que venha logo o calor, preciso pegar uma praia. Urgente.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Maktub

Tem dias em que cismo não ouvir meus pensamentos. Nem sabia que era capaz, é estranho, mas às vezes acontece. Insight, intuição? Coincidência, destino?

Ontem, por exemplo. Acordei atrasada, coloquei qualquer roupa e corri para a estação de bicicleta. Fora do ar, carajo. Hoje é dia, pensei. Ou melhor, senti. Caminhei uma quadra até a outra estação, peguei a primeira bike, deixei a luva apoiada no guidão enquanto ajeitava o Ipod e disparei. Pedala uma, pedala duas, na terceira queria jogar a magrela longe. Só a marcha leve funcionava e, por mais rápido que pedalasse, mal saía do lugar. Para piorar fazia um frio de congelar as mãos. Ah, não, cadê a luva? A essa altura jogada ao vento em qualquer esquina de Barcelona.

Resumindo: o trajeto que faço em 15 minutos completei em 30. Sua teimosa, deveria mesmo ter vindo de metrô. Agora estou atrasada. E sem luva.

Do trabalho para a academia, ao contrário, fui premiada com uma bike que só tinha marcha pesada. Sabia que hoje era dia, saco. Encarei mesmo assim; afinal, a ideia era fazer exercício. Respira, respira. Mas o dia estava apenas começando. A terceira (e pior) surpresa veio no trajeto entre casa e faculdade: um quase-tombo fenomenal. Não fosse meu rápido reflexo, teria explodido no chão junto com o pneu traseiro da bicicleta. CA-RA-JO. Até isso? Eu sabia. Daí me odiei mais ainda: teimosa, quer fazer tudo ao mesmo tempo, afobada. Bem feito!

Eis que para alegrar meu dia - seria coincidência? destino? transmissão de pensamento? - recebo um e-mail fofíssimo da Larissa me indicando o filme Serendipity. Ela disse: "Cami, você não me sai da cabeça desde que vi o filme". O longa fala sobre as manobras do destino. Lari, entendi seu recado e aceitei a sugestão. Adorei. Fui dormir pensando na força do pensamento, nas coincidências da vida, no (meu) destino brincalhão. Maktub.


Por isso hoje resolvi seguir minha intuição. Chove, faz frio. Desisti da academia, desisti de cozinhar. Fui almoçar fora com mamá e agora estou jogada no sofá, enrolada no cobertor, com uma barra de chocolate nas mãos. Vou ver outro filme. Simples assim.

terça-feira, 9 de março de 2010

Lances de sorte (ou nem tanto)

Agora mesmo Barcelona está derretendo. Literalmente. Andando na rua senti vários pingos na minha testa. Ainda há quem não acredite - os próprios catalães estão atônitos -, mas ontem nevou como não se via há 45 anos. Nevou como se fosse a Suíça! O transporte público parou, as pessoas saíram mais cedo do trabalho, as aulas foram canceladas. Caos. Mas ninguém foi para casa não. Estavam todos por aí, clicando o branco total da cidade das formas e cores.

Nunca imaginaria essa cena, nem mesmo quando o avião arremeteu momentos depois de anunciar o pouso no aeroporto de Girona. Joder, qué pasa? "No hay visibilidad", explica o piloto. "Vamos para Reus". Jooooooooder, Reus está bem mais longe. É segunda-feira de manhã, preciso chegar logo ao trabalho, ainda tenho faculdade à noite, não durmo há 24 horas, não tomo banho há 48 (ops!). Joder, joder, essas companhias de baixo custo... Mas eis que em Reus tampouco há condições de pousar. E agora? Lá vai o avião para cima de novo, treme, flutua. Dessa vez, aleluia, segue com destino ao aeroporto principal de Barcelona, a poucos minutos de tudo. Precisava mesmo de um último lance de sorte para fechar a bela viagem de fim de semana à Itália.

Pouco antes disso, uma simpática catalã que sentou ao nosso lado no avião fez o favor de convencer quatro italianos a comprar nossos transfers de ônibus entre Girona e Barcelona (e vice-versa). Eu ia morrer com essa passagem na mão e nem me lembrava disso. Que vergonha. E não é que saí do avião com mais 10 euros no bolso? Sabia que a sorte ainda estava com a gente, mesmo diante de nossa deplorável situação.

Até que tentei, mas não dormi nada na madrugada de domingo para segunda. Culpa do guarda do aeroporto, que me fez levantar do chão bem na hora que começava a embalar a soneca. Depois, sentada naquela cadeira dura, foi impossível pegar no sono. Voltando... cheguei ao aeroporto às 3h da manhã, depois de dirigir (e me perder) por quase 5 horas pelas estradas muuuuito mal sinalizadas da Itália. O vôo era às 8h, não valia a pena procurar hotel. Fui direto para o terminal de embarque. Com sono. Sem banho.

Tudo bem que queria aproveitar todos meus segundos na Toscana e realmente precisava chegar muito cedo à Galeria Uffizi de Florença, naquela manhã de domingo, para não pegar fila. Tomar banho de gato não é problema, mas banho completamente frio também não dá, né? Faltou água quente no albergue, oras. No pasa nada, pensei. Hoje à noite, já de volta a Milão, vou ficar uma hora debaixo do chuveiro quente.

Quase não havia fila na Uffizi. Que sorte, caramba. E tampouco paguei ingresso, uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Sorte, de novo. Vi com tranquilidade relíquias de Botticelli, Michelângelo e Da Vinci, almocei em uma osteria super tradicional, tomei o melhor sorvete do mundo e pelo caminho ainda conheci um vilarejo incrível, San Giminiano. Só faltava o banho. E só. Mas as estradas italianas são coonfusas, o carro não tinha GPS, dirigi perdida por quase 5 horas e... bem, o fim da história vocês já sabem.

Apesar de todas as fadigas, não podia reclamar. Eu fui para a Itália preparada para neve, chuva e temperaturas negativas, mas fez sol, muito sol, todos os dias. Vivi como se deve sob o sol da Toscana. Que sorte, caramba. Para começar bem a viagem de fim de semana à Itália.

Mais sorte que tudo isso só mesmo ver neve em Barcelona - sabe-se lá em quantas décadas vai nevar assim de novo. A neve, aliás, além de me deixar no aeroporto central e embelezar toda a cidade, cancelou minha aula. Sorte, sorte, sorte. Enfim, cheguei em casa mais cedo, fui correndo para o banho (aê!!!!!), tomei um delicioso vinho Rioja e dormi profundamente. Melhor foi acordar hoje e ver Barcelona derretendo sob o céu azul.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Eu quero.

Nem embarquei, mas algo já me consome a alma. Amanhã cedo parto para Milão e depois sigo de carro até Florença, com boas perspectivas de me perder pelos vilarejos da Toscana. Por um fim de semana, que mais posso querer? Mas eu quero. Sinto que vou (re)descobrir uma paixão e difícil será deixá-la para trás quando raiar a segunda-feira.

Por quê? Por que essa ansiedade? Quero a Toscana toda, a Costa Amalfitana, as Cinque Terre, a Sicília. Quero vagar entre vinhedos, me debruçar sobre o Meditterâneo da varanda daquelas casinhas coloridas na encosta, sabe? Quero tomar vinho, tomar sorvete, sentir o simples prazer de cada sabor.

Mas meus pensamentos já voam mais longe. Metade de minha jornada sabática passou, e eu ainda tenho tanto, tanto, mas tanto para explorar nesse Velho Continente. Tanto que não queria fazer outra coisa. Largo agora casa, trabalho e máster. Largo Barcelona e corro para abraçar o mundo. Desespero. Então respiro, pondero. Bem, tenho a vida inteira para isso.

Se depender de minhas vontades, viverei para conquistar todos os territórios europeus (mais a Ásia e a Oceania). Mas que sei eu do meu futuro? Quero mais, quero agora. É o que sinto, e é forte. Socorro. Quero Croácia, Eslovênia, Rússia. Berlim, Praga, Budpeste, Bucareste. Sofia. Quero verão em Menorca, sábado de sol em Formentera. Quero Ibiza, quero Tenerife. E, más allá, Egito, Síria, Líbano. Não tem fim.

E olha que de nada posso reclamar. Eu rodei muito, visitei lugares incríveis e impensáveis (o que dizer de Namíbia, Atacama ou Jordânia?), mergulhei em experiências arrebatadoras. Encontrei pessoas maravilhosas, fiz amigos. Muitos passaram, levaram um pouco de mim, deixaram muito de si. Por tudo isso minha vida já valeu a pena.

Mas eu quero mais. E essa é toda minha preocupação neste lado do oceano (sacanagem, né?). Taí, acho que encontrei a razão do meu recém-encontrado primeiro fio de cabelo branco.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Cotidiano


Todo dia a gente faz (quase) tudo sempre igual,
Nos sacudimos às 8 horas da manhã
E sorrimos, mas isso é genial
Somos mesmo como duas irmãs

Todo dia seguimos para a oficina
De bike ou metrô depende do dia
O importante é no CIDEU chegar 
Sim, trabalhamos no mesmo lugar

Frente a frente, como era de se esperar
Basta nos olharmos para gargalhar 
Mas como pode ser verdade
Tudo o que desejamos é realidade

2 da tarde, hora de se mandar
Malhar é preciso, vamos correndo
Depois ainda temos de cozinhar
E ir à faculdade, fadiga, morrendo

  Toda noite a gente faz (quase) tudo sempre igual
Chegamos, jantamos, falamos pelos cotovelos
Gargalhamos, de novo, isso é natural
Barcelona, incrível, estamos vivendo

segunda-feira, 1 de março de 2010

Surpresa, Por Nuno Godinho

Antes de partir, mas já no elevador, porta fechada, gritou: "uma última coisa, vocês tem de ir debaixo do microondas". Num impulso saltamos para a cozinha, ainda tocadas pelo abraço triplo da despedida, ainda ouvindo as notas soltas da guitarra espanhola. Mas o que seria? Num pedaço de papel sugeria: "preparadas para a surpresa? Então vão ver dentro da caixa do filme Cão Sem Dono que está na sala". Outro pulo, só mesmo o Nuno, agarramos o DVD, que alegria , outra pista: "a recompensa será sempre algo de valor que não dá para calcular, sabor que não dá para comparar e poder que não dá para controlar. Se querem saber mais, vão ver o livro Milênio". Da estante sacamos o livro, abrimos as páginas ansiosamente, trocamos olhares, ele é mesmo surpreendente. E o que quer nos dizer? Palavras escondidas, profundas, o que será, vamos rápido para debaixo do sofá. Última ordem: ligar o computador e acessar o c:\Media. Na pasta secreta, a surpresa.

Por Nuno Godinho

OLAAAAAAAAAAAAA!!!!

1 Gaudí, 2 Gaudí, conta reconta cantos recantos, e tantos os santos, quantos os desenhos no ar. Cheiro de arte, cheio de doces, gelados triplos e olhares aflitos mirando sagradas familias, baladas, vigilias que cismam em construir-se sozinhas. 3 Gaudí, 4 Gaudí, reconta recantos em cantos vezes sem conta, e todos os santos se desenham no ar.

Momento à parte, se não seria vocês, seria o que fosse e gelados triplos, olhares infinitos, bicing de rua, esta arte tão nua, não estaria presente. 5 Má, 6 Cá, abraço o aperto, na hora da despedida, choro, o riso, agradecemos à vida. Casamento por troca de viagem ao mundo, em igreja ou praia como filme de fundo.

300 Kg a mais, gelados triplos a menos, troca pesada, mas enfim...é o que temos. Noutra vida talvez. Mas outra vida não será a minha, nao será a tua, serão apenas 2 outras pessoas só que com a mesma altura.

Se o sentimento perdura, isso não saberei, o que é certo é que por vezes os pormenores contam. Detalhes pequenos, 13 cm, já olharam bem na sagrada familia, a paixão que ela transpira, que não impede apaixonar toda a gente que ali passa, olha e respira. Ficam paixões perdidas, mas no entanto sentidas.

De tão puro o teu ser, o entendimento mútuo, outrora algo, talvez noutra vida. Mas a minha vida é esta, a tua é a tua, e um dia juntariamos as duas, dimiuindo as alturas. E aí eu diria, "Já és eu", como parte de mim, face perfeita, replica sim, mais idêntica que metade de mim. Metade de mim que serias tu, longas conversas, chá no jardim, filme da tarde e um pôr do sol sem fim. E se olhares para trás, é possível arrepender da paixão?

E se uma é parte de mim, outra é defensora sem fim. Sangue do mesmo sangue, quem sabe, assim. Olhar que compreende, atitude que surpreende, a cada virar da esquina, cada paragem em notas de guitarra soltas em paredes e tectos, colunas, acústico brilhante, pausa arrepiante em corredores semelhantes à nossa própria vida, que olhamos assim que entramos naqueles desenhos, e somos levados pelo som suavemente acutilante, que mexe connosco, que nos obriga a pensar, que nos tira da rotina, que nos faz amar qualquer coisa que passe por nós naquele momento. Que nos obriga a olhar e escutar com atenção cada detalhe da nossa vida, deste mundo, da beleza rara que é um simples pombo bater asas e ir. E como nós nos identificamos um com o outro, é ligação difícil de explicar.

Carta de agradecimento por me mostrarem o mundo, tal como eu fiz, faço e sempre farei com vocês. Explico uma paixão, exprimo emoções e assim ganhei uma irmã e descobri metade de mim.

Directamente, Cá, você sempre será minha. Ponto. Porque não tem mais explicação. Defenderia-te com unhas e dentes, nunca deixando algo ou alguém magoar-te. Como viste na balada. quem se mete contigo mete-se comigo também. E pode meter, mas eu tenho de aprovar!!!!

Directamente, Mar, você supostamente deveria ser minha. O destino enganou-se e trocou-nos a altura. Ponto. Porque não tem mais explicação. Morria por ti, se assim fosse, porque uma pessoa assim merece o mundo, mas terias um trabalho difícil: por o mundo tão puro quanto tu. Impossivel eu acho. Tenho a certeza (99,9%) que nunca vou encontrar ninguém como tu, mas já tenho planos para uma próxima vida: encontrar-te e alongar! Isto se não ganhar o euro milhões e tu aceitares a volta ao mundo. Ainda nesta vida (será que temos mesmo mais alguma?)

E aíiiii meninas, foi o fim. Eu voltarei eu espero. Quero repetir. Ainda nao fui e já tenho saudades e vontade de ficar. Agora vocês preparam-se para a balada neste sábado e eu acabo de escrever isto. Bem guardado!

Um beijo!!!!!!!!!!!


Ele chegou....


Curtiu cada balada...

 

Admirou paisagens, sorriu, sentiu, surfou!

 

Barcelona es poderosa, meu gajo