quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Nos arredores de Madrid

Acabou-se o que era doce (e quente) na metade da viagem. Depois de um par de dias no calor andaluz, chegou a hora de encarar uma Espanha abaixo de zero. É inverno, oras. Embarquei rumo a Madrid, mas a ideia era conquistar todo o território ao redor da capital.

Comecei a invasão por Segóvia. De trem, são apenas 30 minutos de viagem, a imperceptíveis 250 km/h. Os picos nevados à saída da estação foram apenas a primeira vitória. Vão lendo. Porque ao chegar bem no centro histórico a batalha já estava ganha: dominei o aqueduto, imenso, gigante, incrivelmente de pé desde o século 1. Uma prova da genialidade romana. Até 200 anos atrás a estrutura ainda levava água para a parte alta da cidade. Dá para imaginar?

É claro que chovia e fazia um frio de congelar, mas bati perna todo o fim de semana. Explorei o aqueduto lá de cima, pisei nas suas pedras, admirei o cenário. Seus altos arcos dão forma às imagens. Aos telhados marrons, às árvores secas, às folhas vermelhas, ao rio. A estrutura é Patrimônio da Humanidade assim como a Catedral do século 16, última grande igreja gótica construída na Europa, e o Real Alcázar, o castelo dos reis de Castilla entre os séculos 12 e 14.

A luta seguinte foi fácil. Atravessei a imponente torre, cruzei a muralha e caí nas graças da velha conhecida Toledo. Era véspera do dia de los Reyes Magos e a cidade-ocre estava em festa. E mais colorida, graças aos turistas e aos poucos raios de sol. O dia passou rápido no sobe-e-desce das ladeiras de paralelepípedo, entre igrejas, sinagogas e mesquitas. Praças um tanto floridas, museus e relíquias de El Greco. E também nos mirantes - a verdade é que de qualquer cantinho dá para ver uma paisagem ampla, perdida no tempo. A noção de tempo, aliás, perdeu-se de novo durante a Cabalgata de los Reyes. A cidade estava em festa, lembra? Com direito a desfile, carros alegóricos e muitos caramelos para a criançada. Entrei na dança e enchi a bolsa! rs...

Próxima e mais difícil (e mais encantadora) batalha: Ávila. Branca, absolutamente branca. Do começo ao fim do passeio, havia neve caindo no rosto, no corpo, congelando os pés. No topo das chaminés, nas folhas, nos carros, no chão. As gotas apagaram até a cor das grossas muralhas que envolvem por completo o centro histórico. Excitante, espetacular. Antes de invadir, vale passar no mitante Cuatro Postes para clicar a melhor panorâmica da cidade. Lá dentro, com neve e alguns graus negativos, jogo duro. Foram muitos cafés, docinhos e um interminável almoço entre uma torre e outra, um portão e outro, a catedral gótica. Colossal.


A última investida valeu a pena, apesar das dificuldades do caminho. Os trilhos estavam fechados por causa das condições climáticas e a viagem de 3 horas a Salamanca acabou em 5. Mas o sol chegou a tempo, é nisso que eu me apego.

A cidade universitária estava aos pássaros. Não vi estudantes, não vivi a noite (gente, era 8 de janeiro!), mas conheci o outro lado desse clima. Tranquila pela Plaza Mayor, de um rosa gasto, pelas catedrais, a nova e a velha, pela universidade, uma das mais antigas do continente. Desci a ponte romana do século 1, senti o vento gelado, me arrepiei com o céu azul entre nuvens negras, olhei para trás. A silhueta de Salamanca estava lá, perfeita, toda minha.

Antes de voltar à realidade (es decir, Barcelona!!!), tive um rápido reencontro com Madrid. Não lembrava de uma cidade assim tão guapa. Foram rápidas e intensas três horas. Puerta del Sol, Plaza Mayor, Parque del Retiro, Plaza Cibelis, Paseo del Prado. A cada esquina um edifício de babar, que arquitetura! A tarde caiu como pipocas no céu rosa claro. Luz, perfeita para guardar momentos em imagens. Quero mais.

3 comentários:

  1. Adorei as fotos dear!!! Ta friozinho ta! KKK hj completa 37 dias de chuva em Sp, é o dia depois de amanha!!! bj

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  2. Quase que te imagino, descobrindo castelos, espada em punho, trajes antigos, tempos passados, desejo futuro. Cavalgando no tempo, escutando memórias, ladeiras ladeiras, breves histórias. Pelo que vejo, viajas num mundo que tu imaginas, crias cenários, ouves um som de fundo, fechas os olhos, recrias passos passados no presente profundo.
    Quase que te imagino, sentada num cavalo, a pertencer ao passado, realidade distante, princesa guerreira, na descoberta, aventura. E daí uma outra história surge. Com as tuas palavras, parece-me que tens uma maquina do tempo, e ele urge. Viajas em 2010 fisicamente, mas espiritualmente transportas-nos para um qualquer século passado, onde a arquitectura que agora vês é simples cenário de filme filmado. Encurtas o espaço-tempo de uma forma que Einstein não previu. E no sentimento à volta, vejo cavalos, e tu, a guerreira que não desistiu.
    Quase que te imagino, a fazer parte de tempos assim, construindo castelos, igrejas,pontes enfim. Voltamos à realidade, presente, contente, à partilha da viagem, coragem, miragem, decente. E os teus trajes antigos, esvanecem na memória, dão lugar á ganga, Jeans, maquilhagem e gritas Vitória! Venceste mais uma viagem, limpas a espada, guardas as fotos, respiras, reparas que voltas à rotina normal.
    Olhas em volta, envergonhas do grito só se alguém que te ouviu. Eu ouvi, mas não envergonhes, porque vitórias assim, alimentam mais histórias, populam memórias e terminam com um fim.
    Fim!

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  3. Cami, cada vezque leio as coisas que você escreve, sinto mais orgulho,sabia?!
    É incrível o poder que você tem de nos fazer sentir presentes, vendo tudo através dos seus olhos, mesmo a milhares de quilometros de distância.
    Estou com muita saudade de vocês duas!
    Continuem aproveitando tudo por aí (enquanto e eu acompanho daqui...hehehehehh)
    Amo muuuuuuito! Muito mesmo! (cê sabe!)
    Bjos e mais bjos!!!
    Déia!

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