quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tradição em Córdoba

Penso no sabor do azeite ao perder de vista as oliveiras. Por todo o caminho a imagem se repete: árvores baixinhas e retorcidas num zigue-zague infinito pelas colinas. Um tanto dourada com os últimos raios de sol. Imagino uma Córdoba gulosa. Matei.

O azeite tempera o salmorejo (sopa de tomate gelada, com jamón serrano e ovo), o flamenquín (carne de porco enrolada com recheio de jamón) e as 1001 tapas de todo e qualquer cardápio. Enche a boca só de lembrar. Melhor falar da Mesquita.

A chuva e o paraguas quebrado (nunca esquecerei essa saga) não estragam a visita, nem meu humor. O monumento, orgulhosamente apresentado como catedral, tem um salão quadrado sem dimensões, com 850 pilares, arcos mesclados em rosa e branco e detalhes arquitetônicos indescritíveis. Uma herança moura que impressiona de longe. Brilha. Pedras, mosaicos, espelhos. Esculturas de mármore, desenhos encrustrados nas paredes, tetos fenomenais. E bem no centro um altar, e a missa, e o coro dos padres. Tudo junto, simples assim.

Basta explicar que Córdoba foi a capital do Império muçulmano que conquistou o sul da Espanha. Mas, com a retomada da região pelos reis católicos, a igreja se sobrepôs à mesquita. Felizmente, muito desta ainda está preservado.

À saida do monumento, o jardim das laranjeiras e a torre que marcam a paisagem da cidade às margens do Rio Guadalquivir. Caminhe, respire, tire fotos. Só não caia na tentação de roubar a fruta: mesmo a mais laranjinha é azeda de fazer careta. Nem caia no conto do ramo da sorte: as ciganas aparecem, dizem que a flor é um regalo, começam a ler sua mão, só falam coisas boas e ainda querem que você dê esmola no final. Ah, a entrada na mesquita, ou catedral, é grátis às segundas-feiras até as 10 horas.

Depois da visita a dica é se perder pela Judería. O bairro é um labirinto de pedra, casas brancas, janelas amarelas e placas de azulejo que indicam o nome das ruazinhas. Se não chovesse tanto, ficaria horas a fio fotografando as casinhas, as flores, as laranjas. E o comércio, os restaurantes típicos, os pratos com azeite...





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