Penso no sabor do azeite ao perder de vista as oliveiras. Por todo o caminho a imagem se repete: árvores baixinhas e retorcidas num zigue-zague infinito pelas colinas. Um tanto dourada com os últimos raios de sol. Imagino uma Córdoba gulosa. Matei.
O azeite tempera o salmorejo (sopa de tomate gelada, com jamón serrano e ovo), o flamenquín (carne de porco enrolada com recheio de jamón) e as 1001 tapas de todo e qualquer cardápio. Enche a boca só de lembrar. Melhor falar da Mesquita.
A chuva e o paraguas quebrado (nunca esquecerei essa saga) não estragam a visita, nem meu humor. O monumento, orgulhosamente apresentado como catedral, tem um salão quadrado sem dimensões, com 850 pilares, arcos mesclados em rosa e branco e detalhes arquitetônicos indescritíveis. Uma herança moura que impressiona de longe. Brilha. Pedras, mosaicos, espelhos. Esculturas de mármore, desenhos encrustrados nas paredes, tetos fenomenais. E bem no centro um altar, e a missa, e o coro dos padres. Tudo junto, simples assim.
Depois da visita a dica é se perder pela Judería. O bairro é um labirinto de pedra, casas brancas, janelas amarelas e placas de azulejo que indicam o nome das ruazinhas. Se não chovesse tanto, ficaria horas a fio fotografando as casinhas, as flores, as laranjas. E o comércio, os restaurantes típicos, os pratos com azeite...
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