terça-feira, 9 de março de 2010

Lances de sorte (ou nem tanto)

Agora mesmo Barcelona está derretendo. Literalmente. Andando na rua senti vários pingos na minha testa. Ainda há quem não acredite - os próprios catalães estão atônitos -, mas ontem nevou como não se via há 45 anos. Nevou como se fosse a Suíça! O transporte público parou, as pessoas saíram mais cedo do trabalho, as aulas foram canceladas. Caos. Mas ninguém foi para casa não. Estavam todos por aí, clicando o branco total da cidade das formas e cores.

Nunca imaginaria essa cena, nem mesmo quando o avião arremeteu momentos depois de anunciar o pouso no aeroporto de Girona. Joder, qué pasa? "No hay visibilidad", explica o piloto. "Vamos para Reus". Jooooooooder, Reus está bem mais longe. É segunda-feira de manhã, preciso chegar logo ao trabalho, ainda tenho faculdade à noite, não durmo há 24 horas, não tomo banho há 48 (ops!). Joder, joder, essas companhias de baixo custo... Mas eis que em Reus tampouco há condições de pousar. E agora? Lá vai o avião para cima de novo, treme, flutua. Dessa vez, aleluia, segue com destino ao aeroporto principal de Barcelona, a poucos minutos de tudo. Precisava mesmo de um último lance de sorte para fechar a bela viagem de fim de semana à Itália.

Pouco antes disso, uma simpática catalã que sentou ao nosso lado no avião fez o favor de convencer quatro italianos a comprar nossos transfers de ônibus entre Girona e Barcelona (e vice-versa). Eu ia morrer com essa passagem na mão e nem me lembrava disso. Que vergonha. E não é que saí do avião com mais 10 euros no bolso? Sabia que a sorte ainda estava com a gente, mesmo diante de nossa deplorável situação.

Até que tentei, mas não dormi nada na madrugada de domingo para segunda. Culpa do guarda do aeroporto, que me fez levantar do chão bem na hora que começava a embalar a soneca. Depois, sentada naquela cadeira dura, foi impossível pegar no sono. Voltando... cheguei ao aeroporto às 3h da manhã, depois de dirigir (e me perder) por quase 5 horas pelas estradas muuuuito mal sinalizadas da Itália. O vôo era às 8h, não valia a pena procurar hotel. Fui direto para o terminal de embarque. Com sono. Sem banho.

Tudo bem que queria aproveitar todos meus segundos na Toscana e realmente precisava chegar muito cedo à Galeria Uffizi de Florença, naquela manhã de domingo, para não pegar fila. Tomar banho de gato não é problema, mas banho completamente frio também não dá, né? Faltou água quente no albergue, oras. No pasa nada, pensei. Hoje à noite, já de volta a Milão, vou ficar uma hora debaixo do chuveiro quente.

Quase não havia fila na Uffizi. Que sorte, caramba. E tampouco paguei ingresso, uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Sorte, de novo. Vi com tranquilidade relíquias de Botticelli, Michelângelo e Da Vinci, almocei em uma osteria super tradicional, tomei o melhor sorvete do mundo e pelo caminho ainda conheci um vilarejo incrível, San Giminiano. Só faltava o banho. E só. Mas as estradas italianas são coonfusas, o carro não tinha GPS, dirigi perdida por quase 5 horas e... bem, o fim da história vocês já sabem.

Apesar de todas as fadigas, não podia reclamar. Eu fui para a Itália preparada para neve, chuva e temperaturas negativas, mas fez sol, muito sol, todos os dias. Vivi como se deve sob o sol da Toscana. Que sorte, caramba. Para começar bem a viagem de fim de semana à Itália.

Mais sorte que tudo isso só mesmo ver neve em Barcelona - sabe-se lá em quantas décadas vai nevar assim de novo. A neve, aliás, além de me deixar no aeroporto central e embelezar toda a cidade, cancelou minha aula. Sorte, sorte, sorte. Enfim, cheguei em casa mais cedo, fui correndo para o banho (aê!!!!!), tomei um delicioso vinho Rioja e dormi profundamente. Melhor foi acordar hoje e ver Barcelona derretendo sob o céu azul.

Um comentário:

  1. Hum....adolo ler os passos de vocês...ouço a sua voz, cami, me contando tudo, em meio as gargalhadas deliciosas da Marcy! Faltaram os detalhes sórdidos, sobre os italianos, que é melhor vcs me contarem por email!!!!!!
    AMO

    ResponderExcluir