Agora mesmo Barcelona está derretendo. Literalmente. Andando na rua senti vários pingos na minha testa. Ainda há quem não acredite - os próprios catalães estão atônitos -, mas ontem nevou como não se via há 45 anos. Nevou como se fosse a Suíça! O transporte público parou, as pessoas saíram mais cedo do trabalho, as aulas foram canceladas. Caos. Mas ninguém foi para casa não. Estavam todos por aí, clicando o branco total da cidade das formas e cores.Nunca imaginaria essa cena, nem mesmo quando o avião arremeteu momentos depois de anunciar o pouso no aeroporto de Girona. Joder, qué pasa? "No hay visibilidad", explica o piloto. "Vamos para Reus". Jooooooooder, Reus está bem mais longe. É segunda-feira de manhã, preciso chegar logo ao trabalho, ainda tenho faculdade à noite, não durmo há 24 horas, não tomo banho há 48 (ops!). Joder, joder, essas companhias de baixo custo... Mas eis que em Reus tampouco há condições de pousar. E agora? Lá vai o avião para cima de novo, treme, flutua. Dessa vez, aleluia, segue com destino ao aeroporto principal de Barcelona, a poucos minutos de tudo. Precisava mesmo de um último lance de sorte para fechar a bela viagem de fim de semana à Itália.
Pouco antes disso, uma simpática catalã que sentou ao nosso lado no avião fez o favor de convencer quatro italianos a comprar nossos transfers de ônibus entre Girona e Barcelona (e vice-versa). Eu ia morrer com essa passagem na mão e nem me lembrava disso. Que vergonha. E não é que saí do avião com mais 10 euros no bolso? Sabia que a sorte ainda estava com a gente, mesmo diante de nossa deplorável situação.
Tudo bem que queria aproveitar todos meus segundos na Toscana e realmente precisava chegar muito cedo à Galeria Uffizi de Florença, naquela manhã de domingo, para não pegar fila. Tomar banho de gato não é problema, mas banho completamente frio também não dá, né? Faltou água quente no albergue, oras. No pasa nada, pensei. Hoje à noite, já de volta a Milão, vou ficar uma hora debaixo do chuveiro quente.
Quase não havia fila na Uffizi. Que sorte, caramba. E tampouco paguei ingresso, uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Sorte, de novo. Vi com tranquilidade relíquias de Botticelli, Michelângelo e Da Vinci, almocei em uma osteria super tradicional, tomei o melhor sorvete do mundo e pelo caminho ainda conheci um vilarejo incrível, San Giminiano. Só faltava o banho. E só. Mas as estradas italianas são coonfusas, o carro não tinha GPS, dirigi perdida por quase 5 horas e... bem, o fim da história vocês já sabem.
Apesar de todas as fadigas, não podia reclamar. Eu fui para a Itália preparada para neve, chuva e temperaturas negativas, mas fez sol, muito sol, todos os dias. Vivi como se deve sob o sol da Toscana. Que sorte, caramba. Para começar bem a viagem de fim de semana à Itália.
Mais sorte que tudo isso só mesmo ver neve em Barcelona - sabe-se lá em quantas décadas vai nevar assim de novo. A neve, aliás, além de me deixar no aeroporto central e embelezar toda a cidade, cancelou minha aula. Sorte, sorte, sorte. Enfim, cheguei em casa mais cedo, fui correndo para o banho (aê!!!!!), tomei um delicioso vinho Rioja e dormi profundamente. Melhor foi acordar hoje e ver Barcelona derretendo sob o céu azul.
Hum....adolo ler os passos de vocês...ouço a sua voz, cami, me contando tudo, em meio as gargalhadas deliciosas da Marcy! Faltaram os detalhes sórdidos, sobre os italianos, que é melhor vcs me contarem por email!!!!!!
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