terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A saga do paraguas

Que 2010 traga boas surpresas para todos vocês. Difícil esse recomeço, não? Depois de 20 dias, fim das férias das minhas férias eternas. Y ya está. Ainda bem que tenho esse espaço para relembrar (e contar) cada detalhe de uma viagem incrível pela Espanha. Pois (re)começo narrando a saga do paraguas.


Com um dos paraguas na Alhambra, Granada

O inesperado sol de Valencia se esqueceu de me acompanhar pela Andalucía. Abandonou-me ainda na tarde de 25 de dezembro e me largou no ônibus dos infernos. Quem me conhece bem entenderá numa palavra: fair. Nem o dramin salvou a noite. Foram 8 horas consecutivas espremida no busão abafado, ouvindo o choro de um bebê, os gritos de uns árabes, a conversa das meninas do lado. Concentrei-me no único pensamento positivo possível, o de que teria o dia inteiro para explorar Granada, uma das cidades dos meus sonhos.

Cansada eu já sabia que estaria, só não esperava pelo dilúvio que arrastou a arca toda até o dia seguinte. Ainda assim Granada é minha espanhola-moura favorita, mas isso é história para o próximo post.       

Agora o paraguas. Ou sombrilla, ou guarda-chuva, como quiserem. A verdade é que esse(s) indesejado(s) companheiro(s) atrapalhou meus planos, roubou parte da minha visão e ainda me deixou na mão quando eu mais precisei.  

Eu tinha um, lindo, com imagens vivas de Munique, na Alemanha. A catedral gótica e o biergarten alemães se confudiram algumas vezes com as paisagens espanholas. Ia de cabeça baixa, mirando o cinza através do colorido. Mas eu ia. Mas eu tinha. Ele aguentou o dilúvio de Granada, a chuva sem-fim de Córdoba e a garoa de Sevilla por três dias. Até que quebrou um, dois, três aretes. Ficou capenga e se fechou para sempre.

A chuva deu um tempo em Sevilha. Não muito, e logo tive de comprar outro paraguas. Droga, eu gostava daquele. Agora tenho um azul com vermelho, xadrez, sem graça, que me custou 4 euros. Saco. Só comecei a pegar um certo apreço por ele quando as nuvens negras desabaram de uma só vez. Não muito, já que ele se mostrou fraco diante da força da natureza. Entrei  no restaurante correndo, fugindo. Deixei o novo companheiro na porta com todos os outros. Almocei e ao sair.... JOOOOOOOOO-DEEEEEEEEER. Levaram meu guarda-chuva.

Me recuso a comprar outro, prefiro tomar chuva. Revolta. Como alguém pega o paraguas alheio? Lembrei que no albergue havia visto um abandonado na gaveta. Resolvido. Ele era azul-bebê, coloquei na bolsa. Mas era muita inocência achar que alguém deixaria de presente um paraguas assim fofo. Na próxima chuva o inevitável: ele, claro, estava quebrado. Ainda resistiu às rajadas de vento de Madrid e Segóvia, deu um tom azul para o céu, mas morreu no segundo dia.

Agora eu tinha um guarda-chuva preto, sério, novinho. Peguei emprestado da querida Ana, que tão bem me recebeu na sua casa em Madrid. Não precisei dele em Toledo (aleluia!), mas contei com sua ajuda em Ávila abaixo de zero. Dessa vez como um "paranieve". Tudo ia tão bem...até que a nevasca decidiu entortar o "paranieve" emprestado. JOOOOOOOOOOOOOOOOO-DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER.

Dei um jeitinho e entrei feliz da vida no cyber-café. Saí mais alegre ainda com a chuva que, enfim, havia cessado. Alegre, leve e solta. Tão leve e solta que só me dei conta da minha perda no sábado, dia de voltar para Barcelona. Sim, eu havia esquecido o paraguas da Ana no café.

Sabia que até o fim dessa saga teria de comprar outro. Pelo menos enquanto a Espanha inteira desaba em neve agora faz 7 graus em Barcelona. Uhuuu. E o céu está azul. Y hay sol.

3 comentários:

  1. Quero Fotosssssssssssssssssssssssss!
    beijos. saudades!

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  2. Sensacional, Cami!! Pelo menos serviu pra dar risada, né? hehehe
    Te trago um paráguas de presente em abril!
    Beijo!

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  3. Digão, tô baixando as fotos, logo mais coloco! Saudade demais!!! Driiiiiiii, tô te esperando hein. Ah, e se programe para estar aqui numa segunda para eu te levar numa das melhores baladas da cidade! Fui anteontem e lembrei de vc! Acho que vai gostar. beijo

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